Leis aprovadas na Alepi reconhecem a força das tradições religiosas no Piauí

Proteger tradições transformando-as em patrimônio cultural é um foco da legislação já aprovada

Desde a última quarta-feira de cinzas (14/02), milhões de piauienses começaram a cumprir suas promessas da quaresma. Os fiéis da Igreja Católica, que compreendem 85% dos piauienses de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), guardam esse período como um dos mais importantes do ano. Essa característica é reconhecida pelos parlamentares da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) por meio de leis que incluem as manifestações de fé como Patrimônio Cultural Imaterial do estado.

Apenas no ano de 2023 e no começo de 2024, cinco festejos de padroeiros de municípios tiveram o reconhecimento. O primeiro deles foi o Festejo de Santo Antônio, em Campo Maior, por proposição do deputado Dogim Félix (Progressistas), que justifica no projeto que este é a maior festa dedicada a um padroeiro no Piauí.

A deputada Gracinha Mão Santa é autora de duas matérias que reconhecem festejos municipais. Ela apresentou os projetos que deram o título para os Festejos de Nossa Senhora dos Remédios, de Buriti dos Lopes, e os Festejos de São Francisco, em Parnaíba. “O Piauí é muito grande e tem muitas grandezas e a parte cultural com a religião, você vê que elas sempre andam juntas. Independente de que religião, mas elas sempre andam juntas porque não tem como você dissociar uma cultura de uma religião, de princípios, de valores que são todos do ser humano”, explica a parlamentar.

Patrimônio imaterial

Outras duas festividades que passaram a ser consideradas Patrimônio Cultural Imaterial demonstram que essas manifestações têm forte vínculo com os piauienses e com a história das cidades do estado. No caso dos Festejos de São José, em Altos, o deputado Warton Lacerda (PT) justificou o reconhecimento lembrando que um dos fundadores do município chegou à região trazendo uma imagem do santo. Já Marcus Vinícius Kalume (PT), apresentou o projeto reconhecendo os Festejos de São Pedro de Alcântara, em Floriano, relatando a tradição dos fiéis da cidade de fazerem um café da manhã coletivo às 6 horas do dia 9 de outubro, data de abertura da festividade.

O vigário paroquial da Catedral Nossa Senhora das Dores de Teresina, Padre José Nery, explica a importância dessas festividades para os católicos: “O festejo para uma paróquia, para uma comunidade, é um tempo mesmo da Graça de Deus. Assim, nós podemos expressar a alegria de um povo que, para além da fadiga, para além do cansaço, reserva, durante 9 dias, para se preparar para a grande festa do seu padroeiro ou da sua padroeira. Por isso, nós podemos observar que é um retiro da comunidade para a comunidade. É o tempo em que nós temos a alegria de receber outras comunidades convidadas, pessoas simples que vem para somar a nossa fé”.

Além dos festejos de padroeiros, manifestações de fé realizadas na Semana Santa também receberam o título de Patrimônio Cultural Imaterial nos últimos anos. Ainda em 2021, houve o reconhecimento da Procissão de Bom Jesus dos Passos, realizada em Oeiras. Esse é um momento tradicional da cidade, conhecida como Capital da Fé, em que os fiéis se vestem de roxo e caminham pelas ruas relembrando a fuga de Jesus para o Monte das Oliveiras. A procissão sempre acontece na sexta-feira que antecede a Semana Santa.

Chegando à sua 26ª edição em 2024, o espetáculo “Um homem chamado Jesus” é realizado na frente da Igreja de São Sebastião, em Parnaíba, durante a Semana Santa. Desde setembro de 2023 ele é Patrimônio Cultural Imaterial em lei que foi proposta por Gracinha Mão Santa.

Turismo religioso é pauta de leis aprovadas na Alepi

Compreendendo o valor cultural da religiosidade e a possibilidade de, por meio do turismo, valorizar esse patrimônio e promover desenvolvimento, a Alepi aprovou a criação do Roteiro da Fé e Tradições Religiosas. A iniciativa do deputado licenciado Flávio Júnior (PT) virou lei em fevereiro de 2023. Quatro projetos de lei alteraram a proposta e juntaram mais seis municípios aos 12 que compunham a matéria original.

A princípio, o roteiro era composto pelas cidades de Teresina, Santa Cruz dos Milagres, Oeiras, Floriano, Monsenhor Gil, Lagoa do Piauí, Bom Jesus, Ilha Grande do Piauí, Pau D’Arco, Luzilândia, Picos e Piracuruca. A deputada Gracinha Mão Santa foi a autora do projeto que inseriu Parnaíba e Buriti dos Lopes. “É dever de cada deputado, onde tem maior atuação, incluir aquela grandeza, tentando, cada vez mais, incluir nas rotas turísticas para que a gente fortaleça fora [do Piauí]. Porque não adianta a gente ficar só interno. A riqueza vem trazendo o turista de fora. E é o que nós estamos fazendo, cada cidade, no que ela tem de potencial, tentar fortalecer para mostrar para fora”, defende a parlamentar.

No mês de agosto, por proposição do presidente da Alepi, Franzé Silva (PT), incluiu-se Dirceu Arcoverde. Em novembro, mais dois projetos foram sancionados, incluindo municípios. Um do deputado Dr. Gil Carlos (PT), que adicionou São João do Piauí, e outro do líder da bancada do PT, Hélio Isaías, que tratou de São Raimundo Nonato e Piripiri.

A agente de viagens Conceição Santos atende muitos turistas motivados pela fé e revela os motivos de essa ser uma modalidade tão significativa. “Fazer turismo religioso é muito emocionante. Lidamos com a fé e o sentimento de gratidão do cliente. Para quem é apaixonado pelo turismo religioso é uma emoção muito grande quando o cliente diz que deseja fazer uma viagem para pagar uma promessa que pode ser por saúde, família, emprego, compra da casa própria, enfim, são inúmeros e variados agradecimentos”, relatou a turismóloga.

O presidente Franzé Silva também destaca a importância de reconhecer a religiosidade dos piauienses: “Nós temos no Piauí diversas cidades que têm essa característica muito forte da religiosidade. A ideia é que a gente possa fortalecer não só no campo da religião, mas também no campo do turismo. O turismo religioso é muito forte em várias cidades. Podemos citar o caso de Oeiras, de Santa Cruz dos Milagres e tantas outras que têm nos seus festejos o seu momento de concentração da população. Então, nossa ideia é que a gente possa fortalecer essas datas”.

Fonte: al.pi.leg.br

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