Isolada da família, enfermeira espera mais reconhecimento profissional

Carla Fabiana é enfermeira em um hospital particular de Teresina e estava de férias quando começaram a aparecer os primeiros casos da COVID – 19 no Piauí,  e ela teve que voltar ao trabalho. Acostumada a lidar com outros tipos de problemas de saúde, comum nas unidades hospitalares, ela e todos os colegas tiveram que se adaptar as novas rotinas dentro do hospital que, agora, foca a maioria das ações no tratamento da doença transmitida pelo coronavírus.

Na vida pessoal da enfermeira Carla Fabiana a mudança foi mais radical ainda.

Por causa dos riscos da COVID – 19, ela está sem contato presencial com a filha Eloah, 9 anos, e com o marido Ítalo Marinho, desde o retorno ao trabalho, no dia 25 de março. Ela, também, teve que deixar de lado o pequeno negócio, montado recentemente, no ramo de alimentação. E, como todos os outros profissionais da área da saúde que estão na linha de frente, está seguindo as orientações da OMS e do Ministério da Saúde de se manter no isolamento social.

“Eu fico em casa e eles tiveram que sair, estão em outro local, porque o risco de contaminação de nós, profissionais, é presente. Então, o risco de trazermos algo para a família também, não é descartados, é presente, então, por questão de prevenção, nós optamos por isso. Inclusive, muitos profissionais que trabalham comigo estão fazendo essa escolha. Nesse cenário, a gente está vivendo mais a questão profissional do que a questão pessoal, ela está sendo deixada de lado, infelizmente”, diz a enfermeira.

Para Carla Fabiana, a população está banalizando a situação e não está dando a devida importância que o momento requer.  Mesmo diante da separação da família, ela lembra a importância do isolamento social como a melhor forma de diminuir a transmissão do coronavírus.

“Realmente, se faz necessário esse isolamento. Nós, profissionais da saúde, estamos abrindo mão da nossa vida pessoal em prol de um bem maior, de cuidar da população. Porém, a população não faz a sua parte, o que a gente pede é unicamente que fiquem em casa e a gente vê que a população não consegue assimilar o perigo que representa uma saída básica como ir ao supermercado ou ao comércio da esquina. O que eu vejo é uma banalização dos fatos, uma banalização da realidade”, completa.

Carla Fabiana diz que o momento também é de reflexão quanto a importância dos profissionais da Enfermagem, ela espera mais reconhecimento da importância dos profissionais da área e chama a atenção para a grande luta da categoria que é redução da carga horária.

“Hoje, eu estava conversando com uma colega o quanto nós somos essenciais e o quanto nós nunca fomos vistos. E, hoje, por uma necessidade da humanidade, nós estamos sendo visto, porém, estamos sendo vistos com aplausos, com agradecimento, que não é o suficiente. São muitos os profissionais que estão morrendo diante esse combate. E o maior risco somos nós, nós estamos de frente, nós estamos lidando com essa situação. É muito difícil, a rotina é muito estressante, a equipe toda fica muito tensa, com a situação, fica achando se…  Vou contaminar, se já me contaminei, se vou levar isso para a minha família, então, é uma tensão diária que a gente vive no hospital. Não é questão financeira, é questão de reconhecimento mesmo. Hoje, tem vários pedidos para os deputados para que eles vejam a nossa situação e façam algo pelo que a gente vem lutando há muito tempo que é a redução da carga horária, uma forma de reconhecer nossa luta”, finalizou.

Em 2019, a Assembleia Legislativa aprovou Projeto de Indicativo de Lei que garante o Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos profissionais de Enfermagem. No Piauí são mais de 30 mil profissionais da área.

 

LEIA TAMBÉM

Deixe um Comentário