Ex-BBB quer usar fama para falar de economia, mas fã prefere Gil vigorado

Com quase 14 milhões de seguidores, o ex-BBB quer ensinar a economia do dia a dia para o brasileiro de baixa renda

SÃO PAULO O economista Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, 32, se tornou um dos influenciadores mais famosos do país após protagonizar o BBB 21 e conquistar o público com sua animação. Com 14 milhões de seguidores, ele vive um paradoxo. Quer falar cada vez mais sobre economia, levando educação financeira aos brasileiros. Mas cada vez que se dedica ao tema nas redes, perde fãs.

Em janeiro, 150 mil deixaram de segui-lo após uma série de vídeos sobre finanças.

Toda vez que você posta algo de economia perde seguidores. Isso incomoda?
Respeito as pessoas. Cada um decide se segue ou não. Não fico contando seguidores, mas, quando comecei a postar [conteúdo econômico], tive curiosidade de monitorar. Acho que as pessoas falam ‘eu quero o Gil mais animado, mais divertido’ e têm dificuldade com essas informações. Mas outras pessoas virão. Com o PhD, tenho estudado mais, entendido mais, e tenho necessidade de levar essa informação às pessoas. Muitas pessoas me falaram: ‘Gil, eu não fazia ideia que, a partir do momento que eu cliquei lá no saque aniversário, se eu for demitido, eu não consigo sacar todo o meu FGTS. Com você falando isso agora, eu vou retirar essa opção’.

É preciso introduzir a educação financeira para as pessoas, desde pequenas. Morando nos Estados Unidos, vejo que isso é super comum. Quando os jovens recebem uma mesada, já colocam para render em um CDI. Eles entendem, por exemplo, o que é um investimento de renda fixa, pré-fixado. Fazem contas desde pequenos.

E você, onde aplica?
Tenho investimentos em renda fixa, porque não tenho tempo para acompanhar. Precisaria de um especialista [para outras aplicações] ou acompanhar o tempo inteiro.

Não aplica na Bolsa?
Não me aventuro. Já tentei um pouquinho, mas meu perfil é conservador. Com Tesouro direto estou bem assistido.

Nathalia Arcuri, do ‘Me Poupe’, só aplicava em renda fixa, mas se abriu aos poucos.
Quando você se arrisca na bolsa você sente que é gostoso, mas demora um pouco de tempo também [para ter ganhos]. Ultimamente, a minha demanda por tempo está um pouquinho vigorada com o PhD.

Sobre o que é seu PhD?
Como as decisões políticas afetam a taxa de pretos dentro das prisões do nosso país. Acredito que uma política voltada ao combate [do racismo] vai afetar a presença dos pretos [nas cadeias]. Quero conversar com os presos, perguntar em que momento eles sofreram racismo.

Parte da violência a que somos submetidos diariamente vem também daquele sentimento de ‘caramba, eu vou acordar todo dia, alguém vai olhar para mim e falar, é ladrão, é isso, é aquilo’.

Se temos políticas que são firmes e combatem o racismo, acredito que esse sentimento de insegurança, de que nada vai mudar, de que se alguém fizer [algo contra a lei] será punido, isso vai gerar um conforto e a gente consegue reduzir a população carcerária.

Pode ser mais específico?
Um dos capítulos da tese vai discutir se o mercado de drogas é violento por si só ou se faltou algum tipo de mecanismo, algo que influencia ao redor. Isso ainda é um paradoxo na literatura de economia.

Desistiu de ser presidente do Banco Central?
Eu tinha vontade de ser presidente do Banco Central porque ele toma decisões que afetam o nosso dia a dia. Mudei um pouquinho, mas ainda tenho o desejo de ajudar as pessoas. Gosto muito de ensinar. Fiz o canal “Matemática do Vigor” justamente para isso.

O que você ensinaria aos seus seguidores sobre a situação econômica atual?
Não vou chutar. Minha área é mais da microeconomia, das decisões entre indivíduos.

Você tem planos de montar algum curso ou uma empresa?
Não. Quero ensinar no Instagram, democratizar o conhecimento.

Raio-X | Gilberto Nogueira, 32

Natural de Jaboatão dos Guararapes (PE), Gilberto Nogueira, 32, é formado em economia pela Universidade Federal de Pernambuco e ganhou fama após se tornar um dos protagonistas do BBB21. Atualmente, faz PhD em economia na Universidade da Califórnia em Davis (EUA) e fala sobre educação financeira

Fonte: folha.uol.com.br

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