Cérebro imaturo torna crianças e jovens vulneráveis a perigos das redes sociais; entenda

Estudos já indicam que telas afetam desenvolvimento neurológico e que plataformas podem causar dependência

SÃO PAULO

“Fico desesperada”, diz Daniela (nome fictício), de 14 anos, sobre quando não tem acesso a internet. Ela, que vive em Americana, no interior de São Paulo, afirma acreditar que desenvolveu um vício em redes sociais.

É comum que a adolescente passe horas por dia deslizando o dedo na tela do celular. No início, fazia escondido novas contas, mas hoje tem autorização dos pais. Ela diz que aplicativos de vídeos curtos, como do TikTok, são os que mais prendem sua atenção.

A jovem nota dificuldade no sonoansiedade e também percebe que, por passar muito tempo assistindo a vídeos curtos, não consegue ver um filme sem ter vontade de pegar no celular.

Ilustração com espiral vermelha sobre fundo amarelo, mostra jovem segurando celular, ele tem a aparência de zumbi. Na frente, uma mulher coloca a mão na cabeça em desespero.
Carolina Daffara

“Penso que só vou assistir a um vídeo, mas quando vejo já estou há horas no telefone”, diz ela, que tem tentado controlar a compulsão mantendo o aparelho longe enquanto faz o dever de casa.

O TikTok lidera em tempo total gasto em sua plataforma, com jovens que passam mais de duas horas e 30 minutos nele por dia. O YouTube vem em segundo lugar, com quase esse tempo, seguido por Snapchat e aplicativos de mensagens, com cerca de duas horas, e o Instagram, com 92 minutos.

Muitas das meninas pesquisadas, com idades entre 11 e 15 anos, utilizam diariamente mais de uma plataforma.

Especialistas alertam que as redes sociais afetam o cérebro ainda em desenvolvimento. Entre as consequências, jovens como Daniela podem apresentar atrasos na aprendizagem com risco potencial de criar dependência ao uso das plataformas.

Estudos também apontam que o uso excessivo de telas em crianças e adolescentes é capaz de gerar danos na saúde mental, como aumento de depressão, solidão, ansiedade e falta de sono.

Na última semana, Vivek Murthy, assessor de saúde pública do governo americano, fez um alerta sobre o risco de profundo dano à saúde de crianças e adolescentes por uso das redes sociais. No documento, ele sugere medidas que famílias devem adotar para evitar a dependência entre os mais novos.

Para além do alerta, Murthy pede uma clareza maior das frentes de pesquisa sobre quais conteúdos causam danos, que vias neurológicas são mais afetadas e quais estratégias poderiam ser usadas para proteger os jovens.

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