Vacina protege contra câncer de colo do útero, doença a qual o Brasil se comprometeu a eliminar
A quatro meses do fim, a campanha do governo para vacinar a população de 15 a 19 anos que não recebeu a vacina contra o HPV atinge apenas cerca de 1,5% do público-alvo, segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Dos 7 milhões de adolescentes que poderiam ser beneficiados, apenas 106 mil foram vacinados.
Lançada em fevereiro, a estratégia tem como objetivo alcançar jovens que não receberam o imunizante no período em que ele é ofertado no calendário de rotina do SUS, entre 9 e 14 anos. A ação será finalizada em dezembro.
Para a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, a estratégia dá uma “segunda oportunidade” para quem perdeu a vacina na faixa etária recomendada.
— É uma dose só. Estão oferecendo uma chance para os jovens que não conseguiram se vacinar na pandemia e já passaram dos 14 anos. Essa oportunidade é muito importante para a saúde individual e coletiva — diz.
Na visão da especialista, a baixa adesão evidencia falhas na comunicação e acesso da iniciativa.
— A estratégia de comunicação dos municípios e do governo precisa melhorar, está muito ruim. A campanha é voltada para jovens, um grupo que não frequenta postos de saúde. Só dizer que tem no posto não chega no ouvido. Funciona quando você vai até o jovem — aponta Levi, que defende que o esforço se estenda para escolas e universidades, além das unidades básicas de saúde.
Em nota, o Ministério da Saúde afirma que o Brasil alcançou mais de 82% de cobertura vacinal contra o HPV entre meninas de 9 a 14 anos, superando a média global de 12%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Entre os meninos da mesma faixa etária, a cobertura está em 67%”, diz.
“A pasta também tem reforçado parcerias com sociedades científicas, organizações não governamentais e o Ministério da Educação, com ações como vacinação em escolas, campanhas educativas e enfrentamento à desinformação”, completou.
Uma pesquisa da Fundação Nacional do Câncer, realizada em 2022, revelou que entre 26% e 37% das crianças e adolescentes desconheciam que a vacina previne o câncer do colo do útero, enquanto 57% acreditavam que o imunizante poderia ser prejudicial à saúde.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro mais incidente entre mulheres no Brasil, atrás apenas dos tumores malignos de mama e de cólon e reto, excluídos os de pele não melanoma. No ano passado, 6.853 pessoas morreram no país em decorrência da doença, segundo o Ministério da Saúde.
Em 2020, mais de 190 países, incluindo o Brasil, se comprometeram com a OMS a eliminar o câncer do colo do útero. Para atingir essa meta, o governo precisa ampliar a vacinação de meninas e meninos, garantir rastreamento de mulheres de 25 a 64 anos e assegurar tratamento para 90% das diagnosticadas.
